O leigo e sua condição e atuação na Igreja

18 de fevereiro de 2021

A realidade de uma “Igreja em saída”, um termo utilizado pelo papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, parágrafo 24, se traduz, de forma completa como uma Igreja missionária, capaz de sair de si mesma para chegar a todos.

Por: Robson Ribeiro de Oliveira Castro

Assim só se torna possível uma “Igreja em saída” por meio da atuação autêntica e missionária do laicato. Para tanto, o protagonismo do leigo, só se faz coerente quando este compreende seu espaço e não fica procurando lugares alheios ou se clericalizando. Diante desta realidade, esse é o grande problema, um clericalismo laical se esquecendo da sua missão e da sua real condição na sociedade.

Tratando de sociedade, é preciso se preocupar com uma formação autêntica e continuada. Há uma carência na formação, principalmente em temas como Doutrina Social da Igreja, fé e política (envolvimento do cristão na política), além de se aprimorar o desenvolvimento da fé verdadeira, tratando-se de uma fé encarnada e não apenas um recitar de orações prontas.

O protagonismo do leigo só pode ocorrer se este souber, de fato, onde é o seu lugar, onde deve estar e como deve agir, senão, será mais um que preenche os bancos das igrejas e não agrega valor às formações. Para tanto, é preciso resgatar o aspecto de ser um verdadeiro Discípulo Missionário, como nos apresentava o Documento de Aparecida: “O discípulo missionário, a quem Deus confiou a criação, deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, respeitando sempre a ordem dada pelo Criador”. (DAp, n. 125).

Cristo, modelo de ser humano e autêntico em suas ações buscava fazer da sua vida um verdadeiro encontro com os que mais precisavam. Seu exemplo era o de procurar os que estavam em situações complicadas, os excluídos da sociedade: “homens e mulheres, pobres e ricos, judeus e estrangeiros, justos e pecadores… convidando-os a segui-lo. Hoje, continua convidando a encontrar nEle o amor do Pai. Por isso mesmo, o discípulo missionário há de ser um homem ou uma mulher que torna visível o amor misericordioso do Pai, especialmente para com os pobres e pecadores”. (DAp, n. 147).

Desta maneira e para viver o mistério do Cristo, a nossa condição deve ser autêntica pela fé e caminho que professa: é preciso participar, e se fazer parte, da vida da comunidade de fé, ou seja, ser protagonista. É necessário que o cristão compreenda esta condição e se torne uma chama viva, “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13) em sua família cristã e comunidade paroquial. Para tanto, o Documento de Aparecida nos convoca a refletir sobre isso: “Sem uma participação ativa na celebração eucarística dominical e nas festas de preceito, não existirá um discípulo missionário maduro”. (DAp, n. 252).

De fato, a fé, principalmente em momentos tão complexos em tempos de pandemia e incertezas, deve ser o nosso alicerce, nossa condição de combate diante das diversas realidades. Sendo assim, “a fé que se encarnou na cultura pode ser aprofundada e penetrar cada vez mais na forma de viver de nossos povos. Mas isso só pode acontecer se valorizarmos positivamente o que o Espírito Santo já semeou”. (DAp, n. 262) Com esta certeza, conscientes de toda a proposta e caminhada evangélica, devemos nos comprometer em ser anunciadores da Boa Nova em nossa realidades, porém não deixando de lado o caminho percorrido.

Assim, a piedade popular tem seu papel fundamental e por isso, o discípulo missionário precisa ser, como nos mostra do Documento de Aparecida, ao citar a Exortação Apostólica de Paulo VI Evangelii Nuntiandi, de 8 de dezembro de 1975: “sensível a ela, saber perceber suas dimensões interiores e seus valores inegáveis”.

É preciso caminhar e dialogar com a realidade, ser sujeito eclesial e autêntico com a fé que professa, por isso, falar que é a hora do leigo e nos colocar ao serviço do Reino. Não podemos nos deixar levar pela clericalização do leigo; o leigo deve tratar suas metas e objetivos e não a serviço do clero: cada um tem a sua realidade e função.

Atento a esta condição, devemos colaborar com o que já existe do CNLB, pois todos os leigos devem ter acesso à formação e contribuir com a comunidade! Como último ponto, é preciso abordar o tema da Economia de Francisco e os desdobramentos que isso tem trazido para a vida, além da Fratelli Tutti, uma encíclica do Papa Francisco, na qual o pontífice indica a fraternidade e a amizade social como construtoras de um mundo melhor, pacífico e com mais justiça.

Assim, devemos atender ao clamor do Documento de Aparecida em seu número 362: “Assumimos o compromisso de uma grande missão […] que de nós exigirá aprofundar e enriquecer todas as razões e motivações que permitam converter cada cristão em discípulo missionário. Necessitamos desenvolver a dimensão missionária da vida de Cristo. A Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres.”

Robson Ribeiro de Oliveira Castro – Leigo, casado, pai da Emília e do Francisco. Mestre em Teologia pela Faculdade